HISTÓRIA DE EMIGRANTE : ITALIANO ‘IO”?

13 out



Comentário: ESCRITOR DE CAMPOS DO JORDÃO É CONDECORADO NA ÍTÁLIA O escritor Benilson Toniolo, de Campos do Jordão, foi condecorado pela Associazione Socio-Culturale di Nocera Superiore, Italia, com o Diploma de “Onore Internazionale”, por sua atuação no intercâmbio literário Brasil-Italia, através da divulgação de textos de novos autores dos dois países. A condecoração foi realizada no último dia 25 de outubro, na cidade de Salerno, por iniciativa do escritor Sabato Laudato, durante a premiação do VI Prêmio Literário “Nocera Poesia”. Benilson é membro da Academia de Letras de Campos do Jordão, União Brasileira de Escritores, União Brasileira de Trovadores e fundador do Centro de Ação Literária de Campos do Jordão. “Cuore Veneto”.

Em Novembro de 2009, recebi um e-mail quando ainda coordenadora de Eventos do Circolo Sardo di Minas, do Escritor e intelectual BENILON TONIOLO ítalo-brasileiro, descendente de vênetos.

Novamente nossos caminhos se cruzam, desta vez através do Blog Sardegna  Sa Terra, graças ao seu interesse pela cultura e  história da nossa querida Ilha Sardegna. Por este motivo me sinto honrada em divulgar o belíssimo trabalho que ele vem desenvolvimento de intercâmbio literário Brasil-Italia.

Abaixo destaco  um dos melhores textos  que já li, sobre a  paixão dos itálos-brasileiros por uma terra que muitos nem  mesmo conhece.

Fonte Fonte: Jornal Geral, Campos do Jordão-SP

Texto Benilson Toniolo – http://blogdobenilson.blogspot.com).

Edição STM-Lucinha Dettori

ITALIANO, EU?

Por que nós, filhos, netos e bisnetos de italianos, temos tanto orgulho de nossas raízes?

Por que nos orgulhamos tanto de nossos antepassados, que chegaram ao Brasil “com uma mão na frente e outra atrás”, muitas vezes arrastando uma penca de filhos, faltando dentes na boca, semi alfabetizados, sem ter a mínima idéia do que veriam aqui, acreditando apenas no que diziam os que chegaram antes?

Por que se orgulhar de um bando de ignorantes que acreditou nas promessas de um monarca e atravessou um oceano inteiro guiados apenas por um sonho, um ideal de liberdade que não tinha mesmo como dar certo?

Por que se orgulhar daquelas musiquinhas batidas de cantina, daquelas roupas coloridas, daquela torre inclinada que não quer dizer nada? Como um povo que elege Silvio Berlusconi e Roberto Calderoli pode proporcionar orgulho a alguém? Definitivamente nós, os descendentes de italianos, somos uma turma bem esquisita, mesmo.

Por qual motivo torcemos tanto para a Itália na Copa do Mundo, se muitas vezes nunca sequer fomos lá?

Se a maioria não conheceu seus antepassados, pois nasceram após a morte deles, por que este curioso orgulho quando alguém pronuncia –em geral de forma equivocada- nosso sobrenome e pergunta: “italiano?”

Por que hoje a morte de um velho tenor de Modena que invariavelmente cantava em napolitano –língua feita pra se ouvir com a alma, e não com os ouvidos- nos comove tanto, a ponto de lamentarmos sinceramente sua perda –nós que nem lá nascemos?

Definitivamente nós, os descendentes de italianos, somos uma turma bem esquisita, mesmo.

Acredito que o sentimento que nos acomete seja comum a cada um de nós.

Amar a Itália e tudo o que lhe diz respeito é, antes de mais nada, manter viva a luta de nossos antepassados, quando resolveram partir e vir parar aqui nestas bandas, dando origem às nossas respectivas famílias.

A família, querida  família!

Amar a Itália é saber valorizar sua história de lutas e conquistas.

É reconhecer sua arte como a mola propulsora do que o homem produziu de mais belo e harmônico.

É reconhecer sua língua em meio a milhares de outras.

É bordar o nome do País na camiseta, no boné, na toalha de banho, na de mesa, na camiseta, em verde, branco e vermelho (pela ordem).

É valorizar a retranca quando se sabe que o melhor é a bola na rede.

É dizer que Baggio foi melhor que Maradona e Platini, juntos.

É ter ficado com o coração dividido na final de 94, mas sem ninguém perceber. E lamentar aquele pênalti até hoje.

É assoviar distraidamente o Hino de Mameli sem saber exatamente do que se trata.

É reconhecer que óperas são coisas muito legais, mesmo.

É pesquisar na Internet a origem do sobrenome, e procurar decorar o nome da região de origem. Depois procurar no mapa onde é que fica.

É rabiscar na última folha do caderno da Escola um mapa mais ou menos parecido com uma bota, e escrever em baixo “Italia” sem acento no primeiro A

É considerar os outros descendentes como uma espécie de confrades. Como se cada família formasse uma só, imensa e apaixonada como a própria terra onde tudo começou.

É ensinar os filhos a diferença entre Verdi e Vivaldi.

É obrigar a noiva a entrar na igreja ao som de “Cavalleria Rusticana”.

É perdoar Bocelli por ter gravado com a Sandy.

Amar a Itália é, antes de tudo, ser um pouco mais feliz do que as outras pessoas.

Pensando bem, nós somos todos um bando de lunáticos, mesmo. Apaixonadamente loucos.

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