Arquivo | novembro, 2010

SÉRIE HISTÓRIAS E TRADIÇÕES: MITOS E CURIOSIDADES SOBRE A CULTURA SARDA

30 nov

emoçãi de mãe - Cici Pes                                                 EMOÇÃO DE MÃE  – Pintor sardo  – Cici Peis 

SÉRIE HISTÓRIAS E TRADIÇÕES: MITOS E CURIOSIDADES SOBRE A CULTURA SARDA

Caros amigos, 

Esta é a mais recente pintura de  CICI PEIS, Grande pintor sardo, que tenho muita satisfação  em divulgar seus trabalhos  nesse  Blog.  A expressão de dor e desalento dessa mãe carregando o seu filho, me fez lembrar a mesma dor que nos passa o conto sobre as mães penitentes que  morrem ao dar a luz, juntamente com seus filhos.

Por este motivo,  senti vontade de reeditar este Post, não apenas por representar com muita propriedade o  tema em si,  mas  por ser um dos mais lido e comentado  no Blog, desde a sua inauguração.

Está edição quero dedicar a todos vocês, mas em especial a Cici, que sempre me dar a oportunidade de  exibir em primeira mão, suas incríveis  pinturas.

http://imagens_funchal.web.simplesnet.pt/images/As_lavadeiras_1945.jpg

Fiz a tradução do italiano para o português que relata o seguinte:

  “Diz-se que quando uma mulher morria no parto na Sardenha, se tornava uma “PANA, ou LAVADEIRA NOTURNA” que voltava temporariamente entre os mortais, com a mesma aparência que ela tinha  quando viva.

Esta era a maldição imposta por este tipo de morte, porque neste caso em particular, este era considerado uma morte “impura”, motivo pelo qual a penalidade era a de que teriam que vagar todas as noites a lava as roupas manchadas de sangue que haviam sido usados durante o parto e também todo o enxoval do bebê morto.

Este período de penitência variava de dois a sete anos. As Panas poderiam ser vista em cruzamentos ou ao longo dos córregos, entre uma e três horas da madrugada, e durante  a execução da lavação das roupas elas entoavam uma nanna ninna- (cantina de nina) que retratava toda a dor e tristeza  por essa  penitência.

Nesta condenação tinha a proibição absoluta de falar ou parar de trabalhar, se isso acontecesse, elas teriam que recomeçar de novo todo o tempo da penitência.

Este provavelmente era um dos motivos que quando alguém viesse perturbá-las ou dirigia lhes a palavra enquanto  estavam ocupadas na lavação das roupas, elas retaliavam, com a  aspersão de água sobre a pessoa que se aproximassem delas. Está água ao contrário de molhar, queimava a vitima como fogo.

Por esta razão, nunca as mulheres da Sardenha saiam  para pegar água a roupa à noite e muitas  vezes quando uma mulher aparecia com uma mancha  na face, especialmente mulheres  mais jovens, era explicado como uma vingança das “Panas” que  haviam sido perturbadas durante as suas tarefas de penitências.

E para que as mães puerperais ou parturientes   mortas,  não se tornassem lavadeiras das noites, era costume dos familiares colocarem no caixão, uma agulha sem o nó no fio, um pedaço de pano, uma tesoura, um pente e um tufo de cabelo do marido da morta.

Isso iria garantir que a falecida mantendo este kit no caixão, estaria sempre ocupada a costurar as roupas do seu filho morto, negligenciando assim a ida ao rio para lavar.

Diz-se também que estes artigos serviam para dar a desculpa  legitima pela  defunta para não  tender  atender ao convite das outras penitentes Panas, que as convidasse para ir ao rio lavar as roupas dos recém nascidos

O convite das Panas a outra recém-chegadas, que teria sido enterrada com este kit, seria assim:

“Come um benesses?” (como  uma benção, Venha agora?) E a morta respondia:

“Não, não, eu  estou costurando, ou estou penteando o  meu marido, referindo ao tufo de cabelo, colocado no kit, dentro do caixão.

 

video  da historia em :http://www.sardegnadigitallibrary.it/index.php?xsl=626&id=494;

 Autor: Marco Antonio Pani

UMA PEQUENA SINOPSE DO TEMA:

Totó é um pastor e como todas as manhãs, ele acorda cedo para ir para o rebanho. Antes de sair cumprimenta sua esposa que está prestes a dar a luz, em silêncio, sem acordar-la. Totó parte e o dia começa, e continua com uma série de sinais de mau agouro ou maldição.

Enquanto em sua casa, à noite, a esposa tem uma visão de uma criança que chora no quintal da casa e desta forma, ela reconhece o sinal de mau agouro das ‘PANA’,  ou das  mulheres  puerpéras mortas que lavam roupas  dos recém-nascidos  em um fluxo de água durante a noite.

Segundo a lenda antiga, estas são as mulheres da Sardenha  que morriam no parto, e desta forma é forçada a vagar durante a noite como umas loucas almas penitentes, de lagos em lagos ou riachos para lavar suas próprias roupas e as do filho morto.

  • FONTE: Blog Formaparis  da Faculdade de Cagliari

  • Reedição em português – SSTM – Lucinha Dettori

  • Informações adicionais sobre a pesquisa :

  • Paddu Cristoforo – Poeta e escritor Sardo.

NOTA DE RODAPÉ SOBRE O VÍDEO:  Esta projeção é  destinado a angariar fundos para o filme “Servo de Deus” a vida do Beato “Nicola da Gestur”. Aproveito esta oportunidade para agradecer a todos aqueles que por seus comentários de carinho  me ajudara a ir à frente ao que eu acredito, e dizer da  nossa ilha maravilhosa e mágica. Possivelmente, costumes, tradições, personalidades e lendas de um passado muito passado…

Fonte: Francosardo. 

 

COMPLEMENTO DO ARTIGO SA ACCABADORA:”O ULTIMO MARTELO”…

29 nov



VIDEO – YOUTUBE  ” L’ultimo martello della Femmina Accabbadora

‘ O ÚLTIMO MARTELO DA MULHER ABACADORA’
Colaboração de  Franco Scanu – Sardegna
Edição SSTM – em português – Lucinha Dettori
PARA QUEM FOR VISITAR A SARDEGNA, uma boa opção é a de conhecer a cidade di Luras (OT)  onde fica o famoso  Museu da Gallura.
Lá vocês poderão ver o último e autêntico MARTELLO ou MAZZOLO , em sardo, que foi utilizado  pela Mulher  Acabadora, que tinha como compromisso dar , a pedido dos familiares, cabo ao doente em estado terminal, realizando assim a eutanásia dos tempos antigos.
Espero que apreciem o vídeo que completa a historia com riqueza de imagem e  de detalhes.

SÉRIE TRADIÇÕES CULTURAIS: MITO “SA FEMMINA ACCABBADORA’

23 nov

AGRADEÇO A GIANFRANCO SCANU, o mais recente colaborador do site Sardegna Sa Terra Mia em português. Gianfranco é um autêntico Sardo, que divide seu tempo, entre seu trabalho na área da informática avançada e a sua paixão maior que é fotografar e registrar a rica e diversificada cultura da Sardegna.

Há algum tempo, tocamos idéias a respeito de artigos interessantes sobre a ilha, os quais em breve serão todos inseridos no blog, principalmente os dos vários eventos populares que ele pessoalmente documenta em várias regiões da Sardenha.

Estou realmente encantada pela riqueza de detalhes e fotos dos documentários que ele produz, não apenas como mero expectador, mas, sobretudo como um curioso documentarista e participante ativo  de todas as festas populares realizadas na Sardegna.

Por este motivo, resolvi convidá-lo para ser o correspondente do Blog Sardegna Sa Terra Mia em português, como responsável pelos temas que se refere às tradições culturais como o folclore, mitos e lendas da Sarda. Grazie mio amico, Sei brevíssimo!

Quero iniciar esta série falando sobre as  tradições culturais Sardas, com o mito da  Mulher ACCABADORA, ou FEMMINA ACCABADORA, assim chamada as mulheres que tinham como tarefa, abreviar a vida de pessoas moribundas.

Está era uma forma de eutanásia da época. Para saber mais sobre este tema, sugiro a leitura deste texto que nos foi enviado tão gentilmente por Gianfranco Scanu, ressaltando que esta historia rendeu recentemente um importante prêmio de literatura a uma grande escritora Sarda, MICHELA MURGIA, pelo seu livro romance  ‘ACCABADORA’ .

Texto enviado por Gianfranco Scanu –

Colabaorador do Blog SSTM

Edição em português: Lucinha Dettori

O MITO SECULAR ‘SA FEMMINA  ACCABADORA’

Estudos em profundidade e análise da documentação encontrada na curia e dioceses e em museus das Sardegna se verificam a real existência dessa figura. S’accabadora era uma figura feminina que era chamada por familiares de doentes terminais.

Sua tarefa era de matá-los colocando um fim aos seus sofrimentos. Um ato de compaixão para com o moribundo, mas também um ato necessário para a sobrevivência dos familiares, especialmente para as menos abastadas classes sociais. Na região da Gallura e em pequenas cidades longe de um médico por vários dias de cavalgadas, este método servia pra abreviar os sofrimentos longos e terríveis dos doentes. Sa Feminina accabbadora chega à casa do moribundo, e sempre à noite, depois de expulsar as famílias que a tinham chamado pra fora da residência, entrava na sala da morte: a porta se abria e o moribundo, do seu leito de agonia, via entrar a mulher acabadora vestida de negro, com o rosto coberto, e entendia que o seu sofrimento estava por findar.

O doente era sufocado por um travesseiro, ou a mulher acertava um golpe certeiro na cabeça com um MARTELO ou em sardo MAZZOLO ,  feito de lenha, levando-o morte. (FOTO)

E assim a S’accabbadora saia da casa nas pontas dos pés, como se tivesse cumprindo uma grande missão, e os familiares membros da família do paciente, expressavam profunda gratidão pelo serviço feito para eles, lhe ofertando quantidades generosas de produtos da terra.

Na maioria das vezes o golpe mortal visava a testa, a partir daí , provavelmente, o termo accabbadora, do (espanhol), que significa, Acabar, terminar, dar cabo.

O martelo ou mazzolo, era uma espécie de porrete de madeira, propositadamente construído e que se pode ver em exposição no Museu Etnográfico de Galluras. É confeccionado com um pedaço de madeira de oliveira de 40 centímetros de comprimento por 20 de largura, com uma alça que permitia a fixação segura e precisa do golpe.

No museu de Galluras, existe um mazzolo, que foi encontrada em por volta de 1981 onde a s’accabbadora, escondida em um muro de pedra, perto de uma embarcação antiga, que uma vez fora a sua casa.

Na Sardegna as S!Acabadoras, exercia esta função até a poucas décadas através, assim reza a lenda, especialmente na região central norte da ilha. O ultimo incidente ocorrido foi em Luras em 1929 e em Orgosolo 1.952. Em outros casos documentados, muitos são aqueles atribuídos à transmissão oral e nas memórias de família. Muitos se lembram de um avô ou bisavô que ainda tinham a ver, com a senhora vestida de preto.

Em Luras na região da Gallura, s’accabbadora matou um homem de 70 anos. A mulher não foi condenada e o caso foi julgado improcedente. A polícia, o Ministério do Reino de Tempio e da Igreja, estava de acordo que este gesto era humanitário. Na verdade, todos sabiam, todos ficavam em silêncio, nenhuma frase nunca parece ter sido perpetrada contra a mulher missionária que foi responsável pelo ato, mesmo tendo recebido para tanto bens materiais e moralmente responsável por colocar fim ao sofrimento do paciente através da morte.

Sua existência foi sempre considerada como um fato natural … como a existências das parteiras que ajudavam a nascer, existiam as s’accabbadora que ajudavam a morrer. Diz-se mesmo que muitas vezes era a mesma pessoa que realizava a mesma tarefa se distinguindo apenas pela cor da veste, no caso, preto para a morte e branco ou claro se ela tinha que ajudar a dar à luz a uma vida. Está é a expressão de um fenômeno sócio-cultural e histórico.

Na cultura da comunidade da Sardenha, nunca existiu um medo verdadeiro nos últimos momentos da vida do homem. Se pode dizer que os Sardos têm um modo próprio de gestão sobre a morte.

Nota complementar – fonte Wikipedia. Com o termo Sardo FEMMINA ACCABADORA, comumente accabadora ( saccabadóra, ou “a que termina”, provavelmente termo oriundo do espanhol “Acabar, “terminar”, “dar fim”) é usado para indicar uma mulher que matava os idosos em estado terminal, doenças que podiam levar a família ou a vítima, a solicitar este serviço, em forma de eutanásia .

Não há consenso sobre a historicidade desta figura, muitos antropólogos não acredito que ela realmente existiu, mas em qualquer caso, é de excluir que o fenômeno tenha se desenvolvido ao longo de Sardenha, mas apenas em algumas sub-regiões como Marghine, Planargia e Gallura.

Essa lenda da accabadora não é a único traço em forma de eutanásia, na Sardenha, de fato alguns clássicos latinos, relatam que na Sardenha, os idosos, que atingindo a idade de 75 anos, eram levados para perto de um penhasco e dali remessados. A motivação não está clara, mas é possível que o rito, foi uma invenção dos autores para resolver o problema da longevidade extraordinária dos sardos.

Em Nuorese o papel da Accabadora era daquela viúva que havia ficado sozinha e na miséria, que vivia das esmolas dos vizinhos, agora no inicio dos anos 60 não era raro vê-las passando de vestidos negro, a pedir esmolas, e recompensadas com um pão acabado de ser feito. [carece de fontes]

PARLA L’ITALIANO: COM PROF. BRUNO BENETTI- VIA SKYPE

17 nov

FOTO:  PROF. BRUNO BENETTI

Queridos amigos e simpatizantes da cultura sarda,

O blog  Sardegna Sa Terra Mia, tem a grata satisfação de apresentar um querido amigo e agora parceiro, prof. Bruno Benetti , natural de Bolzano-Italia e radicado no Brasil há vários anos.Tem sua residência fixa em São Paulo-Capital.

Ele tem sido um grande aliado e incentivador do trabalho que estou desenvolvendo em prol da divulgação das raízes sardas em Minas .

Com ele,  agora vocês podem  fazer um  curso de italiano com aulas particulares  on-line  via skype, com  um dos  melhores preços do mercado.

Então? está animado? está curioso? está com vontade di parlare italiano ?(falar italiano?) Então acesse http://www.studiocwd.com/skype.html para obter maiores informações e escolha o curso feito especificamente para você, com todo o material metodológico em arquivos PDF.

As aulas são ministradas nos períodos da manhã com preços especiais,PRA TODOS OS AMIGOS, DESCENDENTES E SIMPATIZANTES PELA CULTURA SARDA. APROVEITE ESTA BOA OPORTUNIDADE E VENHA CONHECER ESTE MODERNO METODO DE APRENDIZADO DO IDIOMA ITALINO.

Abraço afetuoso a todos

Lucinha Dettori

Editora do Blog Sardegna Sa terra Mia –

LA BUONA NOTTE IN SARDO ” Su lettu meu ” @ Juannusai “Uma antiga oração de Osilo , região da Sardenha.

15 nov

Di :Scanu Gianfranco

Caro amigo e colaborador do Blog Sardegna Sa terra Mia

Versão português Lucinha Dettori

Uma antiga oração de Osilo …

Quase por acaso, conversando disto e daquilo guarda-chuva entre vizinhos … memórias e tradições estão sendo redescobertas …

Tenho que agradecer a Paola Fadda por esta antiga oração … Esta versão vem  de Osilo (SS).

Peço desculpas antecipadamente a todos aqueles que conhecem e sabem como escrever em dialeto Osilo, eu não posso … mas esforço-me por apenas salvar este pedaço de tradição na Sardenha.

A tradução em português:

“A minha cama é composto por quatro blocos, quatro anjos que se colocam acima, dois aos pés e dois sobre a cabeça.

A Rainha deixou-me tem ao seu lado.

Ela diz, “Dormi e repousa, não tenha medo de coisas ruins, não tenha medo de ter um final infeliz.

O anjo do Serafim, o anjo branco, o Espírito Santo e a Virgem Maria, todos vocês estão ao  seu lado”

Preghieri in dialetto di Osilo.

Su lettu meu est de batteros cantones, battero anghelos si bi ponede, duoso in pese e duoso in cabitta, sa Regina a costau m’istada. Issa mi narada: “Drommi e riposa, no appas paura de mala cosa, no appas paura de mala fine, s’anghelu Serafine, s’anghelu biancu s’ispiritu santu sa Vergine Maria, tottu a costazu t’istana.”

La traduzione  in Italiano:

Un’antica preghiera da Osilo…


“Il mio letto è fatto da quattro blocchi, quattro angeli ci si mettono sopra, due ai piedi e due in testa. La Regina mi resta al fianco. Lei mi dice: “Dormi e riposa, non aver paura delle cose cattive, non aver paura di fare una brutta fine, l’angelo Serafino, l’angelo bianco, lo Spirito Santo e la Vergine Maria, tutti ti stanno a fianco.”